As plantas não caminham, mas durante os milhões e milhões de anos desde que surgiram na Terra, elas percorreram um grande caminho para se tornarem o que são atualmente. Separamos o Reino das plantas em quatro grupos maiores: briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas.Mas não podemos esquecer que ainda existem outros grupos... As algas, como as carófitas e clorófitas, são os organismos mais próximos da primeira planta que surgiu no planeta. Depois delas, ocorreu o salto do ambiente aquático para o ambiente terrestre. E sobre o solo, as plantas se diversificaram.As primeiras plantas a chegarem ao ambiente terrestre ainda eram muito dependentes da água, principalmente quanto a reprodução. Essa é a característica principal das briófitas. E a reprodução é o principal condutor das mudanças entre estes organismos.Tanto é que o grupo mais diverso entre elas são os das angiospermas, superando em 10 mil vezes a diversidade de espécies do segundo colocado, as algas verdes, e em 40 mil vezes seus parentes mais próximos com sementes, as gimnospermas. E é esta diversidade que tira o sono dos cientistas que estudam a história natural das plantas.Até Charles Darwin não conseguia dormir ao pensar de que maneira elas teriam evoluído para ter uma variedade tão grande de formas, cores e mecanismos para a reprodução através de suas flores. Darwin chamava isso de “mistério abominável” e acabou morrendo sem encontrar repostas para tal.Porém, na Ciência não há caso perdido. Muitos outros pesquisadores foram atrás das respostas para esse mistério das flores. Teorias foram feitas e até certo momento acreditava-se que a flor não teria aparecido como conhecemos hoje: sépalas, pétalas, estames e carpelos. Estas estruturas, julgavam, teriam aparecido de forma independente e em vários momentos, de acordo com as pressões evolutivas a que estavam condicionadas.Até pouco tempo isso era muito forte, já que os fósseis mais antigos de angiospermas eram datados de 140 milhões de anos atrás e não tinham flores completas como conhecemos hoje. Mas como isso não é determinante, poderia existir uma história escondida bem debaixo de nosso nariz. Ou melhor, de nossos pés.Paleobotânicos (cientistas que buscam registros fósseis de plantas) identificaram uma nova espécie muito mais antiga que apresentava uma flor completa como conhecemos. E o que isso revela? Estavam as teorias erradas. Pode ser, como também pode não ser. A única coisa que este achado nos indica é que possivelmente este grupo de plantas é muito mais antigo do que se imaginava e esse teria sido o motivo para que fossem tão diversas.As origens podem ainda não ter sido respondidas, afinal, seria um pouco impossível surgir de um momento para outro um órgão tão complexo como as flores. O que resta então? Para os pesquisadores isto é normal e muito bom, pois mostra que o conhecimento não tem um fim, mas é preenchido por novos fatos que fazem rever conceitos. Tentar contar a história da vida no nosso planeta é estar sempre desafiando qualquer afirmação que deseja dar-se por completa em relação a tudo aquilo que já aconteceu.